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Depois da experiência diluente e fragmentária das filosofias pos-modernas, do “pensamento único” e neoconservador, é necessário recuperar ao ser humano situado na temporalidade e o comprometido com a mudança da realidade opressiva e excludente do outro (marginalizado, explorado, pobre, subdesenvolvido, indígena, negro, mulher, idoso, camponês, obreiro, etc.) que se nega valor ética e consistência teórico-epistêmica e ôntica, ao mesmo tempo, que se suprime o ético, a fenomenologia e as filosofias práticas.

A proposta de uma antropologia filosófico-educativa é a recuperação do homem como sujeito responsável de seu fazer e afazer no mundo e com os outros; é a defesa dos direitos humanos, o qual convida a refletir sobre uma filosofia da educação concebida e definida como projeto para a vida, só realizável na própria vida, na existência cotidiana, com a pretensão de universalidade.

É a idealização (utopização?) exercida desde a sociedade concebida como comunidade humana, constituída e regulada por formas, valores éticos e sociais.

Porque para a ética, como reflexão crítica das condutas morais, este é o espaço histórico dos acontecimentos e as condutas morais, políticas, sociais e culturais; ali onde se realizam projetos e constroem imaginários, ideais, ideologias e práticas sociais; espaço de socialização de experiências individuais, práticas societárias e coletivas; relações e interrelações intersubjetivas e interpessoais de sujeitos situados num horizonte histórico de sentido.Antropo-ética e educação

Deste modo, os intercâmbios exercidos na educação deverão dar-se numa comunicação dialógica em liberdade e democracia, no reconhecimento das diferenças humanas, na justiça e igualdade solidária. Este é o lugar da nova produção do conhecimento, o qual permite caracterizar as linhas da época como: a sociedade do conhecimento e a revolução cognitiva assignadas, especialmente apoiadas, pelas tecnologias da informação.

A revolução do conhecimento globaliza o saber e igualmente, injustiça desigualdade, pobreza e exclusão. Mas, até hoje, estas formas de conhecimento não resolveram os problemas fundamentais da humanidade, como os de: a ética, a justiça, a equidade, igualdade, a liberdade, a solidariedade, os valores e os direitos humanos.

Seguimos amando e odiando como na época das cavernas. Não obstante, que se tiveram grandes avanços científicos e tecnológicos, os problemas ontológicos, filosóficos e morais foram abandonados, por inúteis e intransponíveis, por seu “anacronismo”. Pode dizer-se que a revolução cognitiva não se limita, pois, a uma “revolução científico-técnica”, como começou a chamar-se em seus princípios, porque comove de passagem os aspectos não previstos pela ciência e a técnica, dos que nossa revolução, mais ampla passa também a depender…

O saber é cada vez mais manipulativo e, literalmente “digital” não tem que ver com a filosófica episteme dos gregos, mas também não com a science do mecanicismo moderno: há que saber como se “manejam” as coisas, não como “funcionam”, assunto de alguns poucos entendidos.

As sociedades atuais, em quase todo mundo, operam com escalas e códigos morais, mais do que por acumulação e superação dos estratos sociais, que uma ética do discurso com pretensão universal. Assumem uma nova consciência da plasticidade dos valores sem responsabilidade nem compromisso.

Porém, apesar disto, existe um valor que deve defender-se a todo custo: a existência, fundamento da liberdade e a autonomia do sujeito. O qual só é viável na prática da liberdade e a democracia radicalmente incluente, que vá além do poder de alguns, ao poder de todos.

A revolução cognitiva promove aspectos que não foram previstos pela ciência nem pela tecnologia, especialmente, aqueles que são o fundamento ontológico e epistemológico de sujeitos e objetos. Isto limita a liberdade de pensamento, o gosto por adquirir conhecimentos, por indagar e pesquisar criativamente, aspectos inovadores da existência humana, como seres situados num horizonte de significação que os faça responsáveis, felizes e realizados como entes sócio-históricos, críticos e radicais, que ponham em questão, por método, os princípios do conhecimento filosófico, ético, político, social, científico e cultural.

O pedagogo brasileiro Paulo Freire assinalou que as relações de conhecimento se dão na dualidade dominador-dominado, onde o primeiro, se desumaniza por excesso de poder e o segundo, por sua carência. Esta é uma relação violenta, contraditória e desumana.

Por isto, é necessário desalienar-se e recuperar-se como ser humano em igualdade solidária e democrática com os outros.

A esperança para o homem e a sociedade se identifica com um otimismo crítico. Otimismo que se fundamente nas possibilidades de abertura, na queda das estruturas da sociedade fechada, por um lado e pelo outro na própria atividade. Não se relaciona com o otimismo acompanhado de quietismo.

Percebe-se com plena clareza que na própria luta, na ação com responsabilidade está a possibilidade de mudança-trânsito.

Desde este horizonte, educar em liberdade e democracia implica uma dialética práxica desde um acionar que rompe, ou mais bem, que procure romper, pela crítica, com as relações alienantes que mediatizam ao sujeito educativo até convertê-lo em objeto “manejável”, em mera “imediatez”.

É relação necessária de compromisso solidário com o outro, o qual leva à transformação de sujeito-objeto educativo (educando) em sujeito social ético em liberdade e corresponsabilidade com os outros, na tomada de decisões éticas e políticas. Assim, antropologia filosófica e ética educativa se convertem na assunção racional de riscos e responsabilidades compartilhadas que rompam com o “tudo se vale” das éticas indolores, para assumir a prática moral livre, responsável e solidária com os outros.

Porque “a base da vida humana como da ética, é a liberdade”. A liberdade é o alento humano, o desejo, o direito de qualquer pessoa, em qualquer lugar, na dialética da vida cotidiana.

Nessa dialética da vida cotidiana, esse estar sendo permanente enquanto processo histórico múltiplo é ou que permite e sustento uma práxis alternativa à opressora. Uma praxe que nâo se dá somente não mundo livre, horizonte alcançável após instaurado ou socialismo desde a concretizaçâo da revoluçâo e da tomada do poder do Estado.

Essa praxe se dá cotidianamente desde a luta consciente, coletiva para romper com as múltiplas formas de violência que nos condenam a continuar sendo ou que os outros querem e nâo o que podemos e queremos ser: donos do nosso próprio trabalho, do produto do nosso trabalho e do nosso fazer cotidiano, vivo, coletivo, participativo.

Trata-se de uma de uma nova experiência fundamentalmente nova, em sociedades tradicionais, onde a estabilidade, a organização produtiva, social e política deverão garantir um meio educativo e social relativamente invariável, que possibilite a realização humana.

Isto visto assim, pode dizer-se, que o sistema educativo se transformou; como a pertinência dos sistemas da educação: escolares e extra-escolares estabelecidos ao longo do tempo; a capacidade de adaptação que parecia intrinsecamente pouco flexível e que se encontrava a graça do mais mínimo erro de previsão, agora, deverão ser programados de maneira integral e logicamente consistente, mas sem perder labilidade e capacidade de adaptação à historicidade “epocal”.

A proposta ética da educação em liberdade e democracia deve ter como objetivo a igualdade de oportunidades para todos, que garanta uma “educação ao longo da vida”; que capacite a cada indivíduo para dirigir seu destino num mundo acelerado de rápidas mudanças; desde uma política democrática que iguale direitos e oportunidades para todos.

A educação e a ética “frente aos numerosos desafios do porvir” se constituem em instrumento inseparável e necessário para que a humanidade possa progredir para os ideais de paz, liberdade, justiça social, equidade, democracia, igualdade e solidariedade. A educação através da palavra e o diálogo, deve ser o espaço transformador do mundo desigual e injusto, desde a prática educativa no acionar do sujeito, tido de adquirir e produzir conhecimentos compartilhados e socializados.

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