MONOGRAFIA DE GRADUAÇAO

ECONOMIA E INTERNACIONALIZAÇAO DO CONHECIMENTO

Introdução

Diversas pesquisas coincidem em que o progresso tecnológico e a inovação são os fatores que impulsionam a longo prazo o crescimento econômico. No contexto de uma economia mundial do conhecimento impulsionado pela rapidez da inovação tecnológica, este se converteu no motor impulsor do desenvolvimento social.

Resulta de grande importância que os povos de Nossa América assentem as bases que lhes permitam aumentar sua capacidade para adquirir e criar conhecimentos e tecnologias com o fim de defrontar aos desafios atuais.

Pensar a um tempo, a cultura econômica, o processo de pesquisa educativa e a internacionalização da educação, tal é o propósito que sustenta esta monografia.

Não será difícil encontrar os nexos que unem estes processos se se toma consciência do papel que hoje desempenha o conhecimento na economia, e se reflete a respeito de:

- É importante para a Pedagogia incursionar nos aspectos econômicos que estão na base de todo processo de pesquisa?

- Existe um entendimento suficientemente claro do papel que deve desempenhar a comunidade científica brasileira nas discussões teóricas sobre a internacionalização das práticas acadêmicas?

- Que cultura econômica deve acompanhar o intercâmbio acadêmico em escala mundial na era da globalização?

A existência objetiva da economia internacional passa antes de mais nada, pelo desenvolvimento crescente da estrutura produtiva e a circulação de mercadorias e de capitais a nível mundial que se sobrepõe às economias nacionais.

Sua origem se remonta às primeiras fases do desenvolvimento do capitalismo e à criação de um mercado mundial capitalista. Nesse processo de internacionalização das relações de produção capitalista se afiança o capitalismo entre os séculos XVII e XVIII.

A tendência à intensificação, concentração e centralização de capital incrementam a escala de operações comerciais, a divisão internacional do trabalho e a complexidade territorial das empresas capitalistas, aumentando vertiginosamente na medida que nos vamos aproximando da etapa atual de desenvolvimento capitalista.

As mudanças produzidas no planeta, a partir das últimas décadas do século XX, como conseqüência do desenvolvimento das forças produtivas, aceleraram o processo, que foi denominado globalização. A qual, nada mais é do que o processo objetivo de desenvolvimento da economia produto do avanço das forças produtivas, que marca sua tendência para a internacionalização da produção, com níveis cada vez mais elevados.

No plano educativo, este processo se manifesta no fluxo de pessoas, conhecimentos, tecnologias, valores e idéias que transcendem as fronteiras e afeta a cada país de maneira diferente, segundo sua história, cultura, tradições, e prioridades, a interconexão das instituições de ensino superior e a abertura do currículo a temáticas internacionais e matérias bem mais vinculadas com o exterior.

Apesar da existência objetiva deste processo, as ciências econômicas e da educação mantêm os marcos das fronteiras nacionais como palco fundamental de análise. Ao assumir a economia mundial e o processo de internacionalização da educação só como relações entre países, limita-se o entendimento de seu funcionamento nas múltiplas interações nacionais e internacionais.

Requer-se então, uma análise integral que favoreça seu entendimento desde posições integracionistas na busca de alternativas e estratégias para que os países de menor desenvolvimento possam inserir-se nestas novas relações.

Desenvolvimento

A análise integral dos processos que influem na educação superior hoje, adquire grande atualidade, não só no plano teórico-cognoscitivo, senão também prático para a tomada de decisões estratégicas em correspondência com as mudanças que se vão experimentando na economia mundial.

Um novo estilo de pensamento e ação coletiva para os países de menor desenvolvimento, centrado no ser humano como sujeito e objeto, a apropriação de uma cultura econômica que tenha por base a ética da solidariedade, justiça e equidade.é necessário para encontrar alternativas que permitam criar condições favoráveis ao desenvolvimento sustentável em correspondência com os níveis de internacionalização que exige o novo meio.

Um aspecto essencial neste sentido é o desenvolvimento da cultura econômica para a internacionalização da educação superior, a qual aponta a tomar em consideração o sistema complexo de interações sociais que se estabelecem no processo de produção de bens materiais e serviços no contexto histórico da internacionalização da atividade pedagógica e investigativa, para potenciar os conhecimentos, habilidades, modos de atuação e valores que favoreçam a acumulação endógena de conhecimentos e capacidades geradoras e inovadoras de progresso científico-tecnológico para o desenvolvimento humano como núcleo do processo de integração.

Universidade e economia do conhecimento

O desenvolvimento da cultura econômica para a internacionalização da educação superior brasileira requer antes de mais nada do conhecimento das características e tendências da economia nos tempos que correm e o papel que devem desempenhar as universidades nela.

Segundo as estatísticas mundiais, os dados dos organismos econômicos internacionais e a bibliografia científica de diversas latitudes [1]nos últimos três decênios do século XX a economia mundial nos países capitalistas industrializados já se encontrava numa fase de transição, para um novo paradigma tecno-econômico baseado no crescimento inteligente mediante o emprego dos últimos progressos da revolução científico-técnica, denominado por muitos "economia baseada no conhecimento", a qual potencializa o valor do conhecimento, localizando-o à vanguarda dos componentes que constituem o capital dos países.

Assim, pode-se apontar as seguintes definições:

- O conhecimento se converteu num fator da produção e ao mesmo tempo como produto do trabalho social, é um recurso cujo custo é alto.

-  O custo do conhecimento se transfere ao custo e preço dos produtos e ao ser uma expressão do trabalho, é fonte de valor, assim a quantidade de conhecimento que contém um produto ou um serviço, é o que determina seu custo e seu preço, mais do que seu componente material.

- Sua aplicação requer, em muitos casos, de novos conhecimentos, pelo que ao ser substituído, deprecia-se rapidamente, sua aplicação e socialização não deve demorar, por isso esta economia depende mais da capacidade de gerar continuamente do que da quantidade de conhecimento que se possui.

Segundo A. Lage[8] as mudanças qualitativas nas funções do conhecimento nos sistemas econômicos estão ocorrendo em três planos simultaneamente:

- A nível da geração do conhecimento.
- A nível da circulação do conhecimento.
- A nível da apropriação do conhecimento e sua valorização em transações econômicas.

A maioria dos estudiosos sobre o tema centra sua atenção na circulação do conhecimento, a partir de uma verdade irrefutável: o volume de informação que diariamente surge na Internet.

No entanto o problema não está aí, a circulação do conhecimento assim como a circulação de mercadoria, não cria valor. As mudanças essenciais estão na geração do conhecimento, sua apropriação e valoração em transações econômicas.

Estes dados evidenciam que existe uma forte tendência à concentração dos conhecimentos em países industrializados, assim a concentração geográfica da Ciência constitui um problema global. Reverter esta situação requer antes de tudo unir as forças para o lucro de uma vontade política que tenha em conta a importância do conhecimento em desenvolvimento econômico e social, para a busca de estratégias e alternativas que minimizem os efeitos de várias décadas de aplicação conseqüente das receitas neoliberais que constrangeram os potenciais científico – técnicos no Brasil.

O mercado do conhecimento provoca diferenças entre os benefícios sociais e privados, muitas vezes existem barreiras no acesso à informação por toda a sociedade, a proteção da propriedade intelectual mediante patentes, marcas de fábrica ou de comércio, direitos autorais ou segredos industriais confere ao titular o direito de receber os rendimentos obtidos da aplicação dos resultados da investigação sujeita a direitos de propriedade e recuperar assim os elevados gastos fixos da investigação.

A internacionalização da educação superior constitui um processo integral da interculturalidade, através do qual cada país ou instituição, desde cada lugar, responde ao global e interage localmente com o mundo, sobre a base de sua identidade.

É uma resposta de inserção de uma instituição ou país nas relações entre nações para responder à lógica e dinâmica dos processos globalizantes, tem por base os valores compartilhados e seu fim é contribuir ao desenvolvimento econômico dos países.

No Brasil, este deve converter-se num processo de ação permanente contra o afã hegemônico dos centros de poder mundial no qual as instituições se consideram parte de um espaço amplo, aberto, inclusivo e solidário na discussão dos temas teóricos e práticos da educação. Neste processo convergem prioridades, a complementaridade e cooperação na interdependência através de uma vontade política na busca de um bem-estar comum sustentável.

Na última década do século XX, aprecia-se o apoio governamental e de algumas institucionais às atividades tradicionais como: assinatura de convênios, assistência a congressos internacionais, mobilidade de pesquisadores ou inovadoras como: promoção de estadias de mobilidade curta para estudantes, professores e administradores, participação em alianças e em redes acadêmicas, transferência, equiparação, convalidação ou homologação de títulos.

O avanço da integração econômica brasileira, a assinatura de acordos regionais de comércio e investimento e as possibilidades que brindam as tecnologias da informação atuais ocasionaram que este nível educativo esteja bem mais aberto à cooperação internacional e às novas metodologias do ensino.

Assim, tem-se como necessidade desenvolver a cultura econômica para a internacionalização da educação superior de modo consciente e em prol da educação brasileira, a partir dos seguintes elmentos:

- Sensibilizar aos governos e a comunidade científica brasileira a respeito da importância do papel das universidades no desenvolvimento econômico e social da região.

-Fortalecer o espaço de grupos de investigação e desenvolvimento para a realização de estudos, sobre temas prioritários para a região em matéria de educação superior e economia do conhecimento como foro permanente de discussão e debate.

- Desenvolver o potencial científico nas universidades públicas com o fim de socializar os novos conhecimentos em benefício de toda a humanidade para combater as tentativas hegemônicas de privatizar o conhecimento.

- Concretizar como parte dos acordos de integração econômica brasileira, a criação de programas que incluam a internacionalização da educação superior, com o compromisso de procurar soluções aos elementos que implicam barreiras ao financiamento.

- Incluir na Agenda dos Ministérios de Educação dos países da região, a promoção da integração latinoamericana, por meio de programas que contem com orçamento específico para isso.

- Promover a cooperação interinstitucional na região a fim de que as universidades sejam geradoras de espaços de resolução de problemáticas regionais desde perspectivas de pensamento com visão latinoamericana.

- Gerar alianças regionais para a formação científica de nossos profissionais e acadêmicos na região aproveitando as vantagens da complementação, e contribuindo deste modo a frear a fuga de nossos cérebros.

- Propiciar a geração de conhecimentos tácitos com o fim de obter retornos econômicos que beneficiem o desenvolvimento da região.

- Promover a internacionalização a educação superior do brasil, mediante ações que permitam a interculturalidade e o desenvolvimento de valores compartilhados como: a cooperação, a solidariedade, a justiça social e o humanismo.

Considerações finais

O mundo de hoje, caracterizado pelo dinamismo do desenvolvimento científico técnico tende essencialmente para uma economia baseada no conhecimento, aumentando cada vez mais a concentração e centralização deste recurso nos centros de poder hegemônicos, o qual requer que as universidades brasileiras encontrem alternativas de inserção encaminhadas à internacionalização da educação superior para a integração justa e solidária que favoreça o desenvolvimento econômico e social da região.

Nas novas condições é necessário o desenvolvimento de uma cultura econômica para a internacionalização da educação superior brasileira baseada na investigação e desenvolvimento da ciência e a técnica para obter voltas econômicas a partir da geração de novos conhecimentos e no fortalecimento de valores compartilhados que possibilitem apropriar-se do método científico como um modo de atuação em todas as esferas da vida social.

Não é possível formular simples receitas desde uma primeira aproximação ao tema sem a necessária vontade política para o apoio ao processo de internacionalização da educação superior, por isso ampliar o debate em torno da cultura econômica que precisa América Latina hoje para inserir suas universidades na economia baseada no conhecimento é de vital importância

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